A história ensinada da temática indígena na Coleção Multiverso - Ciências Humanas no PNLD 2021: regimes de representação e memória

Resumo

Como as imagens presentes na Coleção Multiverso: Ciências Humanas elaboram representações e memórias dos indígenas na História do Brasil ensinável? Esta pesquisa objetiva compreender a história ensinada da temática indígena por meio das imagens presentes na referida coleção, no PNLD 2021, na perspectiva teórico-metodológica da Representação e da Memória. A respeito dos objetivos específicos, elegemos: a) construir o Estado de Conhecimento acerca da temática indígena abordada nos Livros Didáticos de História, apresentando especificidades e avanços; b) discutir perspectivas conceituais sobre o Livro Didático de História, a teoria da Representação e da Memória a partir de um espectro plural em que os termos Signos e História Ensinada se interrelacionam; c) analisar os conteúdos imagéticos da temática indígena, presentes na Coleção Multiverso, da Editora FTD (PNLD 2021), a partir de recortes temáticos da cultura, escravização, organização social, trabalho, religião e cotidiano, em interface com a escrita indígena brasileira. O estudo lança mão da abordagem qualitativa e se classifica como uma pesquisa norteada pelo método investigativo da história. Parte de uma investigação ancorada nos procedimentos do Estado do Conhecimento, na intenção de mapear a produção stricto sensu e historicizar o percurso das teses e dissertações, da pós-graduação no Brasil, no tratamento da temática investigada e/ou afins. Recorremos a análise documental como técnica de produção de dados e a análise semiótica para analisa-los. Nosso quadro teórico ancora-se no regime de representação e de memória e estrutura-se em três eixos complementares: a) a noção de representação pautada nas tensões e conexões entre a história cultural, a sociologia da cultura e a semiótica; b) o Livro Didático de História perspectivado a partir da crítica epistêmica da decolonialidade indígena brasileira, da Nova História Indígena e da interculturalidade frente às representações da coleção; c) e o uso da memória como categoria analítica das imagens acerca dos ameríndios. Em complemento, estabelecemos diálogo com a produção intelectual indígena contemporânea, especialmente Munduruku (2009), Krenak (2019) e Kopenawa (2015), visando propor outras imagens dos povos indígenas no Brasil e ultrapassar uma crítica meramente denunciativa da coleção analisada. Nessa perspectiva, concebemos heurística e semioticamente a imagem como um construto sociocultural que se manifesta de modoarticulado no plano cognitivo do interpretante, na materialidade do objeto e na dimensão sígnica da própria linguagem. Quanto aos resultados, evidenciamos a necessidade de que pesquisas verticalizem e complexifiquem o conceito de representação, amplamente mobilizado na área, porém frequentemente empregado de modo naturalizado e pouco contextualizado nas análises acerca dos livros didáticos e da temática indígena. Os volumes analisados demonstraram a hegemonia de uma cultura histórica e historiográfica colonial responsável por padronizar e visibilizar um certo modelo de representação que se institui diante das negociações dos múltiplos agentes que regulam e institucionalizam a sua formulação. O uso crítico da literatura e do pensamento indígena mostrou-se um caminho fecundo, capaz de deslocar as pesquisas de uma crítica necessária, porém limitada, das obras didáticas para a construção de um repertório teórico-metodológico mais robusto e acostado a outras representações, políticas de memória e universos simbólicos produzidos e protagonizados pelos próprios indígenas.

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SANTOS, Gabriel Alves dos. A história ensinada da temática indígena na Coleção Multiverso - Ciências Humanas no PNLD 2021: regimes de representação e memória - Mossoró/RN. 262 f. Dissertação de mestrado (Programa de Pós-Graduação em Ensino - POSENSINO) - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Mossoró, 2026.

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