TRABALHO PRECOCE DE INFLUENCIADORAS NEGRAS: A INFÂNCIA EM RISCO NO INSTAGRAM

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Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Resumo

A presente dissertação analisa criticamente como se materializa o trabalho precoce de influenciadoras digitais negras no Instagram, compreendendo-o como uma violação dos direitos da infância no contexto brasileiro, onde o trabalho de crianças e adolescentes é legalmente proibido. A pesquisa considera que, apesar desse tipo de trabalho ser frequentemente apresentado como oportunidade de visibilidade e ascensão social, ele se sustenta em exploração e mercantilização da infância, por isso, o problema central do estudo consiste em compreender como esse trabalho se constrói e acontece no Instagram, plataforma essa que, muitas vezes, apresenta uma aparência de diversão e acaba mascarando a constante produção de conteúdo e exposição na rede social digital. A metodologia adotada é qualitativa e documental, com foco na análise de imagem e discurso visual em perfis de duas crianças negras influenciadoras digitais, guiada por um roteiro analítico, o qual contempla aspectos como engajamento, exposição e conteúdos patrocinados. A lente interpretativa utilizada é a teoria pós-colonial de Homi Bhabha (1998), que permite compreender a identidade como construção marcada por ambivalências, estereótipos e tensões, se constituindo no trabalho de meninas negras como influenciadoras precoces no Instagram entre imposições externas de mercado e expressões culturais próprias. Para tanto, buscamos discutir a infância, a racialidade e o trabalho, abordando o fenômeno do trabalho precoce nas mídias digitais, como ele se estrutura na plataforma Instagram, os limites da regulação estatal e da proteção legal. A partir desses recortes, discutimos como crianças negras, historicamente marginalizadas, ainda continuam sendo exploradas sob novas roupagens tecnológicas, tendo sua infância anulada pela imposição precoce de atividades laborais, bem como inseridas num processo ideológico o qual naturaliza esse tipo de trabalho e encobre sua natureza exploratória, limitando suas possibilidades de futuro. Neste sentido, consideramos o trabalho precoce no Instagram uma forma de negação dos direitos fundamentais infantis, pois compromete a privacidade, expõe excessivamente aspectos da vida pessoal e as submete a situações as quais podem ser constrangedoras, vexatórias ou até mesmo perigosas. Essa exposição, tomada como natural, não é apenas uma estratégia, mas uma exigência para a manutenção da relevância e do engajamento na rede, e transforma, para nós, essas crianças em alvos constantes de julgamentos e vigilância. Com uma existência condicionada ao trabalho no Instagram, consideramos que crianças influenciadoras não têm uma vivência plena da infância, pois o tempo do brincar e do ócio, por exemplo, os quais se configuram como essencial ao desenvolvimento infantil, acabam sendo suprimidos pelas lógicas comerciais as quais regem a dinâmica das redes sociais.

Abstract

This dissertation critically analyzes how the early work of black digital influencers on Instagram materializes, understanding it as a violation of childhood rights in the Brazilian context, where the work of children and adolescents is legally prohibited. The research considers that although this type of work is often presented as an opportunity for visibility and social ascension, it is based on exploration and commodification of childhood, so the central problem of the study is to understand how this work is built and happens on Instagram, a platform that often presents an appearance of fun, and ends up masking the constant production of content and exposure in the digital social network. The methodology adopted is qualitative and documentary, focusing on image analysis and visual discourse in profiles of two black children influencers, digitally guided by an analytical script Which contemplates aspects such as engagement, exposure and sponsored content. The interpretative lens used is the post- colonial theory of Homi Bhabha (1998), which allows us to understand identity as a construction marked by ambivalences, stereotypes and tensions, constituting itself in the work of black girls as early influencers on Instagram between external market impositions and their own cultural expressions. To this end, we seek to discuss childhood, raciality and work, addressing the phenomenon of early work in digital media, how it is structured on the Instagram platform, the limits of state regulation and legal protection. From these clippings, we discuss how black children, historically marginalized, still continue to be exploited under new technological guises, having their childhood annulled by the early imposition of labor activities, as well as inserted in an ideological process that naturalizes this type of work and covers up its exploratory nature, limiting its possibilities for the future. In this sense, we consider early work on Instagram a form of denial of children's fundamental rights, as it compromises privacy, excessively exposes aspects of personal life and subjects them to situations that can be embarrassing, vexatious or even dangerous. This exposure taken as natural is not only a strategy, but a requirement for maintaining relevance and engagement in the network, and transforms, for us, these children into constant targets of judgment and surveillance. With an existence conditioned to work on Instagram, we consider that influential children do not have a full experience of childhood, because the time of play and leisure, for example, which are configured as essential to child development end up being suppressed by the commercial logics that govern the dynamics of social networks.

Descrição

Citação

HOLANDA, ANTONIA THAINA EVELYN MORAIS. TRABALHO PRECOCE DE INFLUENCIADORAS NEGRAS: A INFÂNCIA EM RISCO NO INSTAGRAM. 2026. 188f. Dissertação (Mestrado Em Serviço Social E Direitos Sociais) - Uern - Universidade Do Estado Do Rio Grande Do Norte, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Mossoró, 2026.

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